Quando os livros falam… e a Igreja se cala

Quando os livros falam... e a Igreja se cala

Há alguns dias acompanhei minha mãe em uma consulta no hospital. Enquanto aguardávamos, comecei a observar o ambiente. Havia uma estante com vários folhetos e livros disponíveis gratuitamente para quem quisesse ler.

Peguei um deles.

O material era muito bem produzido: bonito, organizado, agradável aos olhos e claramente pensado para alcançar pessoas em um momento de fragilidade. Aquilo me fez refletir.

Não estou escrevendo para elogiar ou criticar uma denominação específica. Na verdade, nem quero falar sobre nomes. O que me chamou atenção foi outra coisa.

Percebi que muitos grupos religiosos entendem a importância de colocar bons materiais nas mãos das pessoas, sem esperar nada em troca. Enquanto isso, entre nós, cristãos evangélicos, parece que transformamos quase todo conteúdo em um produto.

Hoje existem excelentes livros, estudos bíblicos, devocionais e materiais de ensino. O problema é que, muitas vezes, eles só chegam a quem pode pagar.

É claro que escritores, editoras e ministérios têm custos. Produzir um livro exige tempo, dedicação e investimento. Não há problema algum em vender livros ou cursos. A própria Escritura ensina que o trabalhador é digno do seu salário.

Mas a pergunta que não sai da minha mente é outra:

Será que estamos produzindo conteúdo gratuito suficiente para quem mais precisa?

Quantas pessoas entram em um hospital carregando medo, ansiedade ou um diagnóstico difícil? Quantas esperam horas por um atendimento? Quantas jamais entrariam em uma igreja, mas leriam um livreto encontrado em uma sala de espera?

Talvez elas nunca assistam a uma conferência.

Talvez nunca comprem um livro.

Talvez nunca paguem por um curso.

Mas certamente podem ser alcançadas por uma única página que fale da esperança encontrada em Cristo.

Infelizmente, percebo que grande parte da criatividade da igreja contemporânea está voltada para aquilo que pode ser comercializado. Criamos cursos, assinaturas, mentorias, plataformas e produtos digitais. Pouco se pensa em materiais que simplesmente possam ser distribuídos.

A Igreja Primitiva não possuía grandes estruturas, mas distribuía generosamente aquilo que tinha.

“De graça recebestes; de graça dai.” (Mateus 10:8)

Esse princípio não significa que todo ministério deva abrir mão de vender livros ou sustentar seu trabalho. Significa lembrar que o Evangelho nunca pode se tornar inacessível.

Precisamos voltar a produzir folhetos, pequenos livros, estudos bíblicos, devocionais, materiais para hospitais, presídios, asilos, escolas e salas de espera. Conteúdos simples, bem escritos, visualmente belos e, acima de tudo, profundamente cristocêntricos.

Vivemos na era da informação, mas também da solidão.

Talvez uma pessoa encontre Deus não porque entrou em um templo, mas porque encontrou um pequeno livreto esquecido sobre uma mesa.

Às vezes imaginamos que evangelizar exige grandes eventos. Talvez comece com algo muito mais simples: um material gratuito, produzido com excelência e deixado no lugar certo.

Essa experiência no hospital me lembrou que a Igreja não deveria disputar apenas espaço nas redes sociais. Ela também deveria ocupar silenciosamente corredores de hospitais, salas de espera, bibliotecas comunitárias e qualquer lugar onde alguém esteja procurando uma palavra de esperança.

Que nunca percamos a disposição de oferecer gratuitamente aquilo que recebemos da graça de Deus.

Porque, em muitos momentos, um livro pode ser apenas papel.

Mas, nas mãos certas e na hora certa, ele também pode ser instrumento para conduzir alguém ao encontro com Cristo.

Mas deixarei aqui alguns recursos, tem o site alecombiblia.com.br que tem muito conteúdo bom e gratuito, aqui também sempre deixo meu estudos biblicos.

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Queli Souza

Sou uma mulher chamada por Deus para servir, cuidar e proclamar a verdade que liberta. Minha caminhada com Cristo me ensinou que não há cura verdadeira sem a presença do Espírito Santo — e é com base nessa convicção que nascem meu ministério e meu trabalho como terapeuta cristã.